Ministério Público recomenda medidas rigorosas à Prefeitura de Roncador. Veja as orientações:

Prefeitura Municipal de Roncador Paraná

O Ministério Público do Paraná encaminhou à prefeita de Roncador, Marília Perotta Bento Gonçalves, a Recomendação Administrativa nº 07/2026, assinada pelo promotor de Justiça Gabriel Santos Pereira Paquielli, da Comarca de Iretama.

O documento estabelece uma série de providências que devem ser adotadas pelo município em relação ao funcionamento e à regularização de uma entidade de acolhimento institucional, a ACTAR (Associação e Comunidade Paz da Família do Tratamento de Alcoolismo dos Dependentes Químicos).

Entre os principais pontos, o MP orienta que a Prefeitura:

  • Avalie a manutenção ou suspensão de repasses financeiros vinculados ao Termo de Fomento nº 04/2026.
  • Instale procedimento administrativo para verificar a execução do plano de trabalho e prestação de contas, podendo resultar em rescisão contratual e tomada de contas especial junto ao Tribunal de Contas.
  • Delimite formalmente o tipo de serviço prestado pela entidade (como comunidade terapêutica, residência inclusiva ou albergue), com base em inspeções técnicas da Vigilância Sanitária e da Assistência Social.
  • Regularize duplicidades de CNPJ e esclareça a situação jurídica da instituição perante Receita Federal e cartórios.
  • Exija inspeções conjuntas da Vigilância Sanitária Estadual e da 11ª Regional de Saúde de Campo Mourão.
  • Fiscalize alvarás, licenciamento edilício e segurança contra incêndios, inclusive com acompanhamento do Corpo de Bombeiros.
  • Garanta supervisão profissional permanente, vedando a delegação de tarefas sensíveis, como administração de medicamentos, a pessoas acolhidas.
  • Encaminhe ao MP, em até 60 dias, lista completa dos internos, com dados pessoais, histórico de atendimento, plano individual de desligamento e reinserção social, além de informações sobre benefícios previdenciários ou assistenciais.
  • Apresente plano de contingência e realocação, assegurando que nenhum acolhido fique desabrigado em caso de interdição parcial ou total das atividades.
  • Institua rotina de fiscalização mensal com relatórios e registros fotográficos enviados ao Ministério Público.
  • Abstenha-se de novos encaminhamentos até que haja comprovação da regularidade sanitária e de segurança.
  • Publique a recomendação no Portal da Transparência Municipal.

O documento ressalta que, embora não tenha força vinculante como uma decisão judicial, o descumprimento poderá gerar medidas judiciais cabíveis. Além disso, o MP alerta que, a partir do recebimento da recomendação, a Prefeitura passa a ter plena ciência dos riscos, não podendo alegar desconhecimento em caso de ocorrências graves, como mortes ou maus-tratos.

A prefeita tem 15 dias úteis para informar se acatará a recomendação e quais medidas imediatas serão adotadas, além de um prazo de 60 dias para cumprir os pontos mais complexos.

📌 Impacto local A recomendação evidencia a preocupação do Ministério Público com a transparência, a legalidade e a segurança dos serviços de acolhimento em Roncador. Caso não sejam cumpridas, as medidas podem resultar em ações judiciais e maior fiscalização sobre a gestão municipal.

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