Enio
Verri: governo Richa é elitista, excludente e concentrador
No próximo domingo, dia 10, o governo Beto Richa (PSDB) completa 100 dias.
Na opinião do deputado líder da bancada de oposição na Assembleia
Legislativa, Enio Verri (PT), as políticas públicas, decretos e declarações
da equipe de governo apontam, até agora, para um governo “elitista,
altamente excludente e concentrador”.
“Neste curto espaço de tempo foi possível verificar que o governo Richa não
desenvolve políticas para a maioria, ele privilegia as elites”, afirmou o
deputado.
De acordo com Verri, o projeto que está sendo colocado em prática pelo
governo do PSDB tem características inversas ao modelo de desenvolvimento
social democrático.
“É um modelo que tira dos mais pobres, dos assalariados, para concentrar em
determinados grupos e regiões. Algumas medidas diminuem a renda e a
capacidade de compra da população e fragilizam os serviços públicos,
sobretudo na área da saúde e educação.”
Para embasar a tese, Verri abordou os impactos que as medidas adotadas pelo
governo, nos três primeiros meses de mandato, tiveram sobre a população mais
pobre.
“Logo depois da posse, a Sanepar reajustou a água em 16%. Depois veio a
interrupção do Leite do Paraná. São medidas que atingiram diretamente a
população mais pobre, logo nos primeiros dias do governo. Além disso, não
podemos esquecer da declaração do secretário de Fazenda de que o governo não
vai cumprir a promessa eleitoral de reajustar em 26% os salários dos
professores nem dar aumento ao funcionalismo.”
Educação – Em fevereiro, o governo do estado interrompeu o programa Leite do
Paraná, que consistia na compra e distribuição de 700 mil litros de
leite/dia para a merenda das escolas estaduais. Segundo Verri, além de
melhorar a saúde dos estudantes, oferecendo leite pasteurizado, o programa
garantia a manutenção da cadeia produtiva do leite.
“O governo Richa disse que houve problemas no convênio com o governo
federal. Nós sugerimos que o valor do programa fosse temporariamente pago
com recursos próprios. O programa, que garante a saúde das crianças e o
fortalecimento da cadeia produtiva do leite, que levou 10 anos para ser
consolidada, iria custar 3 milhões, por quatro meses. Não foi feito.
Infelizmente, o problema não terminou aí. As escolas até hoje não receberam
o leite em pó para a merenda, que foi prometido quando o programa foi
cortado.”
O deputado também lembrou dos problemas na realização do PSS (Processo
Seletivo Simplificado), que deveria garantir a contratação de professores
temporários para as escolas estaduais e da orientação aos diretores dos
colégios para que cada sala de aula não tenha menos de 40 alunos.
“A secretaria de Educação negou, mas os diretores das escolas confirmaram,
nos bastidores, que receberam esta orientação. É uma determinação que vai
contra qualquer debate sobre qualidade de ensino e que coloca o Paraná na
contramão da história.”
Economia – Verri elogiou a iniciativa do governo em criar o programa Paraná
Competitivo, que oferece estímulos fiscais para criação de novas empresas no
estado. Entretanto, na opinião do deputado, o dispositivo falha ao não
considerar as diferenças regionais do estado.
“O Paraná Competitivo falha ao não criar uma política diferenciada para
estimular o desenvolvimento das regiões mais pobres. Empresas que queiram se
instalar em municípios menos desenvolvidos deveriam receber mais incentivos
do que empresas que queiram se instalar na região metropolitana de Curitiba,
por exemplo. É um indicativo que o governo Richa caminha na mesma direção do
governo Jaime Lerner. Na gestão Lerner, uma parte do Paraná, que vai de
Ponta Grossa a Paranaguá, se desenvolveu de maneira extraordinária. Hoje,
70% da economia do estado está concentrada nos municípios desta região. Foi
muito bom, mas, e quem vive nas outras regiões do estado?.”
O parlamentar também criticou a maneira como foi realizada a moratória das
dividas do governo estadual.
“Obras importantes, principalmente nas pequenas cidades, em que o impacto de
uma reforma na escola ou a construção de uma unidade de saúde é enorme,
ficaram paralisadas. O governo confirma seu caráter excludente quando não
leva em consideração a necessidade da população mais pobre, que mais precisa
da intervenção do estado.”